A pensão por morte é um benefício previdenciário destinado aos dependentes do segurado falecido.

É uma forma de garantir a subsistência dos familiares que dependiam economicamente do segurado, assegurando-lhes um mínimo de proteção financeira.

Neste artigo, explicaremos o funcionamento da pensão por morte, seus requisitos e características, de maneira didática e acessível ao público leigo.

Abordaremos também as recentes mudanças legislativas e atualizações jurisprudenciais que impactam o tema.

Conceito e natureza jurídica da pensão por morte

pessoas carregando caixão

A pensão por morte, prevista no art. 201, V, da Constituição Federal de 1988, é um benefício previdenciário pago aos dependentes do segurado falecido, seja ele aposentado ou não (BRASIL, 1988).

A natureza jurídica da pensão por morte é de substituição, uma vez que visa substituir a renda do segurado falecido, garantindo a manutenção do sustento dos dependentes (CASTRO; LAZZARI, 2021).

Segundo a Lei nº 8.213/91, que dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social, a pensão por morte será devida ao conjunto de dependentes do segurado que falecer, aposentado ou não, a contar da data do óbito (BRASIL, 1991).

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem reiteradamente reconhecido a natureza alimentar e a essencialidade da pensão por morte, como no julgamento do Recurso Especial nº 1.704.520 (BRASIL, STJ, 2018).

Requisitos para concessão da pensão por morte

Para que seja concedida a pensão por morte, é necessário o preenchimento de alguns requisitos. Dentre eles, destacam-se (CASTRO; LAZZARI, 2021):

Morte do segurado: a morte deve ser comprovada mediante a apresentação da certidão de óbito.

Qualidade de segurado: a pessoa falecida deve possuir a qualidade de segurado junto à Previdência Social na data do óbito.

Caso o falecido tenha perdido a qualidade de segurado, os dependentes não terão direito à pensão por morte.

Dependência econômica: os beneficiários devem comprovar a dependência econômica em relação ao segurado falecido.

Quem são os dependentes e a ordem de preferência

A Lei nº 8.213/91 elenca três classes de dependentes, estabelecendo uma ordem de preferência (BRASIL, 1991):

A doutrina majoritária (CASTRO; LAZZARI, 2021) explica que a existência de dependentes de uma classe exclui do direito à pensão os dependentes das classes subsequentes.

Portanto, se houver dependentes da classe 1, os das classes 2 e 3 não terão direito ao benefício.

Valor e duração da pensão por morte

O valor da pensão por morte corresponde a 100% do valor da aposentadoria que o segurado recebia ou daquela a que teria direito se fosse aposentado por invalidez na data do óbito (BRASIL, 1991, art. 75).

A Reforma da Previdência, promovida pela Emenda Constitucional nº 103/2019, alterou a forma de cálculo do benefício (BRASIL, 2019).

Atualmente, o valor da pensão por morte é de 50% do valor da aposentadoria, acrescido de 10% para cada dependente, até o limite de 100%.

A duração da pensão por morte varia de acordo com a expectativa de sobrevida do dependente e a idade na data do óbito do segurado.

A tabela do art. 77, §2º, da Lei nº 8.213/91 estabelece os prazos específicos (BRASIL, 1991).

Procedimentos para requerimento e revisão da pensão por morte

Para requerer a pensão por morte, os dependentes devem comparecer à agência da Previdência Social mais próxima, munidos de documentos pessoais, comprovante de residência, certidão de óbito do segurado e documentos que comprovem a dependência econômica.

O requerimento também pode ser realizado pelo portal “Meu INSS” ou pelo telefone 135.

A pensão por morte pode ser revisada, desde que respeitado o prazo decadencial de 10 anos, previsto no art. 103 da Lei nº 8.213/91 (BRASIL, 1991).

A revisão pode ser solicitada em casos de erro no cálculo do benefício, ausência de documentos ou quando o INSS não considerou algum tempo de contribuição.

Jurisprudências atualizadas e polêmicas

Algumas questões envolvendo a pensão por morte têm sido objeto de discussões na jurisprudência atual. Destacam-se:

Pensão por morte para cônjuge separado judicialmente: o STJ, no julgamento do REsp nº 1.110.577, entendeu que o cônjuge separado judicialmente, mas que ainda recebia pensão alimentícia, tem direito à pensão por morte (BRASIL, STJ, 2009).

Pensão por morte para convivente em união estável homoafetiva: o STF, no julgamento da ADI nº 4.277 e da ADPF nº 132, reconheceu a união estável homoafetiva como entidade familiar, garantindo aos conviventes o direito à pensão por morte (BRASIL, STF, 2011).

Pensão por morte para filhos maiores inválidos: o STJ, no julgamento do REsp nº 1.786.590, consolidou o entendimento de que os filhos maiores inválidos têm direito à pensão por morte, desde que a invalidez seja anterior ao óbito do segurado e à maioridade (BRASIL, STJ, 2019).

Cumulação de pensões por morte: o STF, no julgamento do RE nº 1.321.493, decidiu que é possível a cumulação de pensões por morte, desde que referentes a segurados distintos e observada a regra do teto constitucional (BRASIL, STF, 2019).

Referências

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